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| DIÁRIO
POPULAR |
SÃO
PAULO, QUINTA-FEIRA, 16 de março de 2000
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HELTON
RIBEIRO
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A
partir do pico da Bandeira, na serra do Caparaó,
é possível avistar até o mar
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Se fosse
um prédio, teria mais de mil andares. O Pico da Bandeira na Serra
do Caparaó (MG) é o terceiro pico mais alto do País, com 2.890
metros de altitude. E não é preciso ser alpinista para atingi-lo.
Com uma caminhada de aproximadamente quatro horas (ou mesmo a
cavalo), é possível chegar ao topo e apreciar uma vista panorâmica
que inclui várias cidades de Minas Gerais e do Espírito Santo,
além da impressionante cadeia de montanhas e, lá em baixo, um
tapete de núvens. Quando o céu está totalmente limpo, avista-se
até o mar a 100 quilômetros de distância.
O pico é
a principal atração, mas não a única do Parque Nacional do Caparaó,
quese estende por 25 mil hectares no leste de Minas e sudoeste
do Espírito Santo. Os amantes da natureza encontram ali um pouco
de tudo: vales, rios, cachoeiras, a densa e úmida vegetação da
mata atlântica e a semi-aridez dos campos de altitude , além de
outros cumes tão altos como o da Bandeira.
A região
mais baixa do parque, onde ficam os vales, é rica em flora e fauna.
Entre samambaias, bromélias, orquídeas e árvores nobres como jequitibá,
peroba e cedro. Vivem gaviões, macacos, quatis, pacas, tamanduás,
tatus e até alguns poucos remansecentes de onças e veados.
E como não
bastassem todas as atrações do parque, tamb]em há muito que ver
fora dele. A começar pela bucólica cidadezinha de Alto Caparaó,
que tem apenas 3.400 habitantes. Ela é uma ilha cercada pelas
altas montanhas e seu núcleo urbano se encontra em torno da única
avenida principal. Um ponto de parada obrigatória é a loja Fruto
da Terra, mais conhecida como Artesanato do Júnior, que oferece
todo tipo de artesanato da região.
Em torno
de Caparaó e da vizinha Pequiá (ES), há cachoeiras como a do Chiador,
da Andorinha, do Rio Claro do Egito e do Escorrega. Outros locais
que valem a pena conhecer são os alambiques e a fazenda dos Canários,
que cria soltos mais de 200 canários da terra, típicos da região.
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Após
noite gelada, sol deslumbrante
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LUZES E SOMBRAS
formam bela paisagem quando o sol nasce
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O melhor
período para subir ao pico da Bandeira é o inverno, quando
chove menos e a visibilidade é maior. Mas é preciso estar
preparado para o frio, pois todas as noites, nessa época,
a temperatura cai abaixo de zero, podendo chegar a 4 graus
netativos. É quando ocorre outro espetáculo: as geadas, que
congelam gotas de orvalho e poças d'água. |
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O frio não
assusta os mais aventureiros, que acampam no meio da montanha,
em uma área chamada Terreirão, para subir de madrugada e ver o
nascer do sol, um espetáculo deslumbrante de luz e sombras.
Quem prefere
comodidade pode se hospedar em uma pousada em Alto Caparaó e subir
ao pico sem escalas, indo e voltando no mesmo dia. Da cidade vai-se
de carro (o ideal é alugar um jipe) até a entrada do parque
e de lá ao estacionamento da Tronqueira, num total de 10 quilômetros.
A partir da Tronqueira, pode-se subir a pé a trilha de nove quilômetros
ou alugar um cavalo, que consegue chegar a poucos metros do topo.
Para acampar no Terreirão (que fica a meio caminho entre a Tronqueira
e o pico), é útil também alugar uma mula para levar as barracas
e a bagagem.
Lá do alto
avistam-se cidades como Caparaí, Manhuaçu (MG) e Santa Marta (ES),
além do pico do Cristal, outro dos mais altos do País, com 2.798
metros. A bandeira do Império, que D. Pedro II mandou fincar no
cume quando visitou a região em 1859 (dando origem ao nome
da montanha, não está mais lá; em compensação, foi erguida uma
cruz e, no visinho pico do Cruzeiro, um Cristo Redentor.
No parque
há muitas outras atrações, como os vales Verde e Encantado, com
cachoeiras e piscinas naturais, a cachoeira Bonita, com uma queda
de 80 metros e um curioso monumento no Terreirão feito com destorços
de um avião que caiu na montanha.
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Passeio
exige planejamento
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Planejamento
- equipamento adequado e alguns cuidados são importantes
para aproveitar a viagem e evitar transtornos. A seguir,
uma relação de procedimentos e equipamentos básicos.
Equipamento
para a subida ao pico: barraca e utensílios para cozinha,
caso deseje acampar no parque; mochila resistente e
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No inverno
a temperatura cai até quatro graus negativos
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| impermeável;cantil
ou garrafa plástica (indispensável no verão); lanternas e
pilhas extras principalmente para subida noturna; agasalho
(blusa de lã, casaco, luva e touca), mesmo no verão, pois
as noites são sempre frias. |
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Objetos necessários
para caminhadas: bermuda ou calça de lycra ou cotton
lycra (em caso de chuva, jeans e moleton ficam pesados
e demoram a secar; tênis ou bota de caminhada, já amaciada e com
solado antiderrapante em bom estado, meias (usar dois pares para
evitar bolhas), boné ou chapéu; capa de chuva, protetor solar
(mesmo no inverno) e manteiga de cacau; papel higiênico; tênis
e roupas extra (mesmo não pernoitando no parque, pois, caso chova
pode-se depois vestir roupas secas); estojo de primeiros socorros,
sacos plásticos para lixo e para embalar roupa ou outros pertences
em caso de chuva.
Para os passeios
às cachoeiras, além da roupa de banho, capa de chuva, boné, protetor
solar e, no inverno, agasalhos.
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Cuidados
básicos
Pessoas com problemas
de articulações, cardiovasculares ou pulmonares, gestantes e recém
operados não devem ir até o pico ou fazer caminhadas longas. Também
não é aconselhável levar crianças menores de sete anos. A subida
ao pico deve ser feita com guia. A administração do parque pede
aos visitantes que evitem excesso de barulho, pois isso afastam
os animais. Não é aconselhável deixar lixo nos lugares visitados.
Se for preciso fazer necessidades fisiológias durante a caminhada,
procurar lugares distantes dos cursos d'água. É proibido fazer fogueiras
ou fumar nos passeios, pois isso pode provocar incêndios, ou arrancar
plantas ou flores e assustar ou alimentar os animais. |
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