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As
cordas começaram a ser aperfeiçoadas cerca de 50 anos atrás, quando
surgiram as fibras derivadas do petróleo. Rapidamente os especialistas
focalizaram a atenção num polímero, agora muito comum a nós, o Nylon,
capaz de ser reunido em cordas resistentes e maleáveis com seus
filamentos longos e contínuos. Além disso, tem resistência à abrasão;
excelente capacidade de absorção de choques e ponto de fusão relativamente
alto.
Mais
tarde, outras fibras vieram, como polipropileno, Kevlar e Dracon
ou Poliéster. O "Perlon" nada mais é que o nome fantasia para o
Nylon tipo 6.
Cordas
estáticas e dinâmicas
A princípio, as cordas tinham suas fibras torcidas em feixes, como
nas cordas náuticas, porém a desvantagem era o grande atrito que
geravam entre si. Décadas se passaram para que os fios finalmente
fossem trançados em espiral na forma de uma capa que envolvia uma
alma, também formada de fios torcidos, trançados ou lisos. E aí
está a principal diferença entre as cordas estáticas e dinâmicas.
Nas cordas estáticas, os fios da alma são lisos, dando-lhe a elasticidade
natural do Nylon (1 ou 2% quando submetido ao peso médio de uma
pessoa). Já nas cordas dinâmicas os fios são um conjunto de cordinhas
torcidas ou trançadas e este é o segredo para a absorção de choques,
com a elasticidade de cerca de 6 a 10%, ao peso de uma pessoa normal.
Os
diâmetros variam conforme o uso, as cordas estáticas, mais grossas,
10,5 mm a 11 mm, são ideais para rapel
de corda única ou para se fazer uma tirolesa. As mais finas: 8 mm
- 9 mm, são mais ágeis e leves, trabalhando melhor quando se fizer
preciso o uso de corda dupla.
Existem
as cordas normais e as secas ou "dry", tratadas para não absorverem
água, normalmente, com uma cobertura de teflon ou silicone, tornando-as
secas e também um pouco mais fortes (o Nylon se torna mais fraco
quando úmido). Uma corda "dry" (usada para fazer canyoning)
não retém a água, e assim, depois do uso, fica mais leve para se
carregar.
Cuidados
com a corda
Poeira, terra, areia, todas essas partículas penetram pela capa
e por abrasão provocam desgastes internos, dificilmente vistos olhando-se
por fora.
Sentar,
pisar ou mesmo se apoiar sobre a corda pode forçar a entrada destas
partículas e aumentar o desgaste interno, além de maltratar a corda
por pressão em possíveis quinas de rocha. Alguns escaladores possuem
tipos de bolsas projetadas para se carregar cordas que podem ser
içadas e abertas no chão, transformando-se numa espécie de tapete.
Mas você não precisa comprar uma bolsa dessas para cuidar bem de
sua corda, uma pequena lona de plástico pode ser uma alternativa
barata, evitando do mesmo jeito o seu contato direto com o chão.
Lavar de vez em quando a corda também ajuda. Mas atenção: nada de
usar produtos de limpeza. No máximo um sabão neutro. Depois deixe-a
secar solta num lugar ventilado e à sombra.
Nunca
exponha em demasia a sua corda ao sol, o Nylon se degrada com os
raios ultra violetas. Esquecê-la ao sol, na janela traseira do carro
é um crime!!!
Os
cuidados com os produtos químicos, também são muito importantes,
principalmente destes dois grupos, relativamente comuns: os ácidos
de qualquer espécie (mas comumente o de bateria de carro) e os hidrocarburetos
(derivados do petróleo). É impressionante e assustador saber que
uma boa parte desse tipo de contaminação ocorre dentro dos carros
na hora de transportar os equipamentos, por isso tome cuidado onde
vai colocar a sua corda. Os hidrocarburetos (óleo, querosene, gasolina,
disel, etc.) podem ainda ser detectáveis pelo cheiro ou cor. Entretanto
os ácidos muitas vezes degradam a corda sem que se perceba, pois
o seu estado visual pode parecer perfeito, quando já consideravelmente
atingido.
Qualquer
contaminação ou mesmo se houver suspeita desse fato, deve-se descartar
a corda. É imprescindível que se inspecione periodicamente a corda,
por inteira!!
A
capa pode ser a melhor maneira de ter-se uma idéia de como está
o seu estado geral. Olhando-a e apalpando-a centímetro por centímetro.
Fazer
pequenos círculos com a corda, pode propiciar a visualização de
um rompimento interno da alma, ao observar-se a formação de um bico
em alguma das voltas. Ao mesmo tempo pode-se ver se não há nenhuma
alteração no diâmetro, o que também indicaria que há algo errado
no seu interior.
Deve-se
dar atenção, também, aos talhos, verificando-se se a alma não está
à mostra.
E
quando algum desses danos aparecerem?
Quando eles afetarem somente as extremidades, pode-se cortar a corda
a partir do ponto danificado, perdendo-se só a ponta. Todavia, se
o estrago for no meio, não há como salvá-la.
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