São Luís do Paraitinga

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A Boca Nervosa

Alô, amigos da Namaste. Quanto tempo, hein? Às vezes, a inspiração acaba e a mente precisa de um descanso.

Escrever sobre vocês é muito bom, pois me faz recordar amigos e momentos de nossas aventuras. Principalmente pessoas que, talvez, nunca mais encontrarei, mas cuja presença estará sempre comigo.

Nossa última aventura aconteceu num fim de semana de julho, em Catuçaba, que não existe no mapa, mas que descobri fazer parte de São Luís do Paraitinga.

Era um grupo pequeno, a maioria desconhecida para mim, porém, uma pessoa chamou minha atenção. Falou o tempo todo dentro da van com sua amiga, até chegarmos em São Luís para almoçar. Soube que seu apelido era Iva.

Estávamos quase frente à frente à mesa. Pediu um filé de frango com salada. Dizia à amiga que precisava emagrecer, calorias estavam fora de seu cardápio, até mesmo em viagens. Nós outros comemos um prato típico, o "afogado", carne cozida num caldo com temperos, que, para mim não foi tão bom, mas como a fome era grande, senti seu sabor como se fosse o manjar dos deuses.

À noite aconteceu nosso encontro de queijo e vinho, sob um céu cheio de estrelas. À mesa, Iva e eu estávamos próximas, esperando, ansiosas, a chegada das lindas bandejas com os frios que Márcia e Alécio nos prepararam. Para nossa surpresa, duas terrinas de sopa: uma de canja e outra de uma sopa creme, deliciosa, cujos ingredientes até hoje não identifiquei.

Fazia frio e aquelas sopas aguçaram nossa gulodice. Iva e eu tivemos a mesma idéia de repetir o creme, mas a quantia no fundo da terrina era o suficiente para apenas uma de nós. Levantamos ao mesmo tempo, sem a coragem de ser a primeira a pegar na concha. Encaramo-nos como duas feras dando início a um duelo. Foi aí que Iva resolveu amainar nosso desespero pelo resto da sopa. Com uma expressão muito séria, minha nova amiga pôs-se a reclamar de sua "boca nervosa", que não podia ver comida, que logo se sentia aflita, a necessidade urgente de enchê-la, por isso ela não emagrecia, estava cada vez mais gorda. Repetia a todo instante que devia controlar mais aquela boca que não podia ver comida.

Gesticulando, fez todos rirem e atacarem rápido os pedaços de queijo e as garrafas de vinho, antes que acabassem. E saibam que tinha quantidade para um exército faminto.

A expressão "boca nervosa" me faz recordar Iva em todos os momentos em que vou comer: no café da manhã, almoço, jantar, nas casas de amigos e parentes e até em restaurantes.

Boca nervosa não me sai da cabeça e acabou por se tornar um ícone para eu continuar firme no meu regime. Iva, este texto é dedicado a você, uma companheira de trilha que me fez rir muito em Catuçaba e que eu espero encontrar muitas vezes mais. Sua "boca nervosa" é sensacional. E faz sucesso com minhas outras tribos.

Ema de Moraes
agosto/2006

   

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