Parati

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Parati, terra de sonho, de fantasia. Paraíso dos amantes, das artes, da tranqüilidade.

Parati inesquecível. Nesse cenário bucólico, romântico, até mesmo excêntrico, a Namaste e Cia desembarca. Levando turistas a tiracolo, Alécio e Márcia montam um novo tipo de viagem. Mais sossegada das que estamos acostumados. Desta vez, poucos quilômetros para andar, subidas e descidas, nem pensar! Quartos luxuosos. Horários elásticos. Mais descanso que trilha. Sem piadas pelos caminhos.

Foi com esse passeio que Márcia e Alécio fecharam as portas do seu manicômio. Trancaram à chave seus loucos. Esqueceram por um fim de semana a ATPê (Associação dos Turistas Pentelhos) e seus associados com suas piadas e brincadeiras. Conversas sérias pelas caminhadas.

Mas, de repente, Márcia e Alécio sentem-se chocados. Aquela era uma viagem “CVC”. E começaram a sentir falta de seus companheiros dementes, aqueles que sabem não ter mais salvação.

A saudade por seus insanos provocou-lhes grande ansiedade. Porque eles sabiam que todos aqueles momentos CVC só poderiam ser partilhados com aqueles que eles abandonaram em São Paulo. Pois os soldados que ali estavam jamais entenderiam a situação de terror em que se encontravam.

E a angústia maior surgiu quando Alécio pára radiante na frente de seus tênis. Toda sua experiência de guia ruiu ao ver apenas dois pés direitos para serem calçados. Gritou por Márcia desesperado. Mas esta, sem perder a calma, apenas sorriu e tentou acalma-lo dizendo que ganhou a certeza de que ele tinha mesmo duas direitas. Porém, sentiu-se triste, pensando nos seus loucos distantes, que adorariam compartilhar com eles um fato a entrar para os anais atepenianos e namastenianos.

Ema
maio/2000.

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