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Sob
o frio intenso de julho, começamos a trilha da Serra dos
Órgãos, no Rio de Janeiro. Não sabíamos,
até então, por que caminhos passaríamos.
Márcia,
já de cara, deixou de ser nossa mamãe, transformando-se
em madastra, castigando-nos com o peso nas mochilas.
Milton,
velho conhecido de Itatiaia, era um verdadeiro general dando ordens.
Enquanto o Johnny, para não nos deixar morrer de sede, corria
montanha acima, montanha abaixo, em busca de água.
Washington
entrou no ônibus como caronista, mas não se safou de
trabalhar. Experiente em montanhas e com carinha de moleque, ajudou-nos
a suportar as duras escaladas.
Mas
quem ganhou a taça foi o J. A., que não levou o saco
de dormir e, por pouco, não virou picolé.
Osmar,
tão calmo, sempre tinha uma palavra de ânimo. Mesmo
nos trechos mais difíceis não dispensou uma boa piada.
E a
Namaste agora tem uma novidade: o cinegrafista Jo, que o tempo todo
carrega seu equipamento de filmagem, para registrar os melhores
momentos da trilha. Porém, penso que ele vai nas viagens
em busca de vídeo-cassetadas.
Sheila,
tão magrinha, ficou com os ombros roxos, tamanho o peso das
latas de atum dentro de sua mochila. A todo custo queria esvaziar
as latas no café da manhã.
Enquanto
isso, Lídia, nossa querida Magali, se mostrou solidária.
Ofereceu-se para levar o atum da Sheila. Mas Márcia foi categórica
com o seu não. E o medo de ficar sem o jantar?
Sílvia,
tão meiguinha e quietinha, me conquistou. Até lhe
ofereci ser minha nora. Mas ela não quis. Que pena.
Sandra,
que faz parte do kit kids Namaste, fazia sua primeira trilha. Vejam
só, ela começou pelo topo. Parabéns, Sandra.
Alexandre,
o Grande, não teve jeito. Ralou o joelho numa rocha e ali
deixou uma poça de sangue.
Desta
vez ouvi a voz do Hélio. Ele tentava acalmar os nervos da
Thaís, o que virou um bate-boca terrível, digno dos
apaixonados. Mas a Thaís não deu o braço a
torcer. Mandou o Hélio sumir da sua frente e se virou sozinha.
Iara
fazia a Serra dos Órgãos como treinamento para o Nepal.
Do modo como caminhou nem precisava. Era id direto ao Evereste.
Cris,
agora "top" no mundo das trilhas, se fez de migué
e levou uma mochila esmirrada. Mas o Milton não perdoou e
socou lá dentro um monte de comida e até barraca.
E a proibiu de mexer nas coisas até segunda ordem.
Maria
Lúcia, leve como uma pluma, voava na frente de todos, já
de banho tomado e toalha enrolada na cabeça, ficou inconformada
por não conseguir um secador de cabelos.
Enfim,
eu, Ema, mais uma vez consegui terminar a trilha sem precisar ser
amarrada e carregada. E, como todos, feliz e preparada para enfrentar
a próxima aventura da Namaste.
Ema
de Moraes
Julho/2001.
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