Travessia - Joatinga

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Ali estávamos nós, outra vez, a caminho da mata atlântica. Chegamos ao início da trilha, exatamente no momento em que o filme ao qual assistíamos no ônibus, terminou. Que logística! - exclamou Celso. A travessia desta feita era na Reserva Ecológica da Joatinga e Área de Proteção Ambiental do Cairuçu, região de clima quente e úmido. Um pouco úmido demais para o meu gosto, já que começamos a caminhada debaixo de forte garoa. Contudo, até nisto a logística da viagem estava perfeita, pois a subida ao mirante da Praia do Sono teria sido sofrida se o sol estivesse a pique, sem o frescor das nuvens.

O sol já estava alto quando chegamos ao Condomínio Laranjeiras, para iniciarmos a travessia. Ali, os traços do avanço da civilização aterrorizam os amantes das florestas e evidenciam a importância de medidas de contenção da ocupação humana, com destruição do ambiente natural. Contudo, à medida que começamos caminhar à beira mar, deixamos de lado as adversidades do mundo moderno, lançando às ondas os pensamentos que causam peso extra em nossa bagagem, para apenas contemplarmos a natureza sempre exuberante.

A região da Joatinga é cheia de morros, sendo o mais alto deles o Pico do Cairuçu com 1.070 metros de altitude, e, devido ao relevo irregular e aos rios que percorrem a região, é comum a presença de cachoeiras e cascatas durante o percurso, o que agradaria imensuravelmente nosso amigo Ri.

Após vinte minutos de caminhada morro acima, já vislumbrávamos a paisagem maravilhosa da interminável Praia do Sono: o imenso Oceano Atlântico e seus contornos, as ilhas e a foz de um pequeno rio. Aos poucos, com a permissão de Caapora, protetor das florestas, e com a experiência do Alécio, fomos nos embrenhando na mata, com o cuidado indispensável de não deixar qualquer marca.

É certo que é comum encontramos pessoas interessantes quando fazemos travessias desta espécie. Porém, este grupo estava especialmente gostoso. Cada qual com sua história, graça e sabedoria. Dividimos o mesmo tempo e espaço sem tropeços, trocamos experiências e apreciamos o mesmo cenário de beleza ímpar, assim como também foram sem par as dicas de fotografia de Nani, que, sem dúvida, põem qualquer curso fotográfico no chinelo. O Alécio que o diga!

Durante quatro dias nossa rotina foi rodeada por pássaros, flores e folhas de todos os tons que se renovavam entre a garoa e o sol, cachoeiras frescas e riachos formando pequenas piscinas naturais no encontro com o mar, e, ao final de cada tarde, sempre uma belíssima praia a nos chamar para um mergulho. Era tudo o que um corpo cansado da caminhada precisava, seguido, é claro, de um magnífico jantar com pé na areia e luz de velas.

Chegamos à última praia da travessia ao meio dia e aproveitamos para mais um mergulho antes de zarparmos para a cidade de Parati, um paraíso histórico, cultural e natural, onde encerramos a jornada com chave de ouro.

Dias maravilhosos que espero reviver em breve.

   

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