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No dia 1º de novembro deste fim de milênio, Namaste chega em Itararé. Os guias locais são Jr., um grandalhão que luta pelo desenvolvimento do turismo na cidade e Eduardo, dono do boteco onde nos deliciamos com sanduíches de mortadela e tubaína. Entre nossos personagens, estava Ana, que fez sucesso com sua luva de pé amarelinha, que só existe no Japão. Marcos e Vanessa, em plena lua-de-mel. Ele, montanhista, já fez rapel até em Cancun. Ela, uma princesinha de sorriso meigo e olhar apaixonado. Regina implicou com Alécio, pois toda vez que nosso guia-mor se aproximava, a garota batia seus air-bags traseiros no chão. Custou, mas livrou-se dele ficando na turma do fundão. Lá estava também o Élcio, inimigo mortal das águas. Porém ele foi obrigado a benzer seus santos pezinhos nas águas das cachoeiras. Lucília, ao contrário, não pode ver água que desaparecia no meio das quedas. Até achou um concorrente a sua altura: Ataíde. Ele nadou o dia inteiro, e à noite, na festa de Halloween, arrasou como vampiro. Estava tão bem caracterizado que nem no espelho aparecia. Doris sentou num formigueiro, mas foram seus delicados pés que sofreram. Com os dedos enfaixados de esparadrapo, não deixou as bolhas vencerem e se divertiu muito pela madrugada, vestida de bruxinha moderna. Cris, já enrugada de tanto ficar na água, não conseguia se esconder atrás de suas gargalhadas. Todos viam a nossa Magali sempre com a boca cheia e os dentes mastigando. Anselmo, até agora conhecido como chaveirinho perfumado, se transformou em carniça perfumada. E tudo por causa das mulheres, que encantadas com seus belos olhos verdes, se transformaram em verdadeiros urubus. Miriam desta vez não chorou, e ficou bárbara de diaba. Com chifres, capa e garfo vermelhos, não perdia a oportunidade de espetar os amigos, inclusive Élcio, nosso padre Marcelo preocupado em exorcizar as bruxas do pedaço. A loira Scheila ficou irreconhecível ao desfilar com a peruca morena de Mortícia Adams. Mas morreu de inveja ao ver os negros cabelos naturais da diaba Miriam. Neide, após tanto tempo sumida, esbanjava charme com corações negros nas bochechas. Agarrou o microfone e foi a dona do show. Eduardo e Sofia – casal presente em tudo – tentaram se disfarçar com óculos, mas eram reconhecidos de longe. Ele com seu jeito de Samurai e ela, ciumenta, pendurada em seu braço. Alexandre de vez em quando nos dá sustos, mas desta vez estava calmo. Várias vezes vi o moço olhando o fim de não sei o quê com jeitão de meditação. Lúcia e Zé Roberto não paravam de falar em serviço. Qualquer dia vão montar um escritório de advocacia no meio das matas. E só davam trégua para a língua quando Lúcia se afundava nas águas geladas. Zé Roberto ficou no time dos preguiçosos e não foi pra água só pra não tirar a roupa. Tio Ival foi quem mais aproveitou o feriadão. Como todo japonês, adora pescar. Enquanto esperava por nós, arranjou uma vara e iscas e lá se foi para o rio. Pescou um monte de pial, mas ninguém os viu, nem com lupa. Carlos, coordenador do Instituto Florestal de Itararé, parecia mais um lenhador de desenho animado. Mas ninguém conseguiu saber se ele usava machado ou motosserra. Ele levou à tiracolo o fotógrafo da região, Amarildo, que acabou virando guia e deu um duro danado para nos fazer subir e descer pedras. Luísa e Maria José não tomam jeito nunca. Estão sempre brincando, fazendo piadas e com os olhos muito abertos, sabem tudo o que acontece com todos. Luísa amarrou a coitada da amiga com cordas e fez com que Alécio lhe desse uma surra com galhos de urtiga, pois só assim conseguiriam exorcizá-la. Maria José quase sufoca de tanto rir. Márcia só chegou na sexta-feira sem saber de muita coisa que aconteceu enquanto Alécio era o rei da Namaste. Ela não viu que ele entrou em pânico com a distribuição dos quartos. Mas chegou para por ordem na casa. Vestiu-se de bruxa e, como todas as vezes que se fantasia, estava linda. Alécio, nosso paizão, resolveu dar um monte de ordens, que ninguém queria entender e seguir. Mesmo vestido de hippie – pois confundiu as fantasias para a festa de Halloween – nos deu de presente um maravilhoso show com o Didi. De Conde Drácula, o jovem mostrou suas habilidades numa performance de Drag Queen. Eu, Ema, bisbilhoto os companheiros de viagem, prestando atenção para não perder nada. Não falo de minhas estrepolias, mas reconheço estar sempre enlameada. E desta vez extrapolei: andei descalça pela cidade. Ema |
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