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Conceição
do Ibitipoca, setembro de 2006.
A noite ia alta,
quando Val, Cherry e Viviane entraram no chalé para dormir. Eu já
estava debaixo das cobertas há muito tempo, e com o sono pesado,
não acordei quando elas chegaram. Também não ouvi , nem vi os fatos.
Apenas soube deles na manhã seguinte.
Contaram-me as três
que, ao apagarem as luzes, ouviram pisadas macias sobre as folhas
secas ao redor do chalé. Não tiveram coragem de se levantar e se
juntarem, tamanho o medo que sentiram.
Viviane disse que
fez algumas orações, Val escondeu a cabeça sob o cobertor, e Cherry,
se encolheu na cama de casal, até quase se deixar desaparecer.
Já acomodadas, mas
ainda de ouvidos em pé, perceberam luzes estranhas, acendendo e
apagando nos vidros das janelas. "Valha-me Deus, "foi o que pensaram,"
o que estará acontecendo lá fora? " Talvez seja uma invasão de Ets,
afinal, aquela região no sul de Minas já tem histórias de misticismo,
incluindo descidas de discos voadores.
Num segundo momento,
Viviane se apavorou. Um lobisomem. Era noite de lua cheia. Noite
em que os predestinados se transformam e saem à procura de vítimas,
por cujo sangue chegam a matar.
Quando acordei e
soube da terrível noite que elas passaram, tentei acalmá-las,
lobisomem só existe em histórias. E para dizer a verdade, histórias
infantis. O que não era o caso delas. E o lobisomem se transformou
num simples e bonzinho lobo mau, que só tentou assustá-las. (AINDA
BEM QUE EU ESTAVA DORMINDO!).
Chegou o momento
de partirmos para mais um dia de andanças e, em trilha, ora estamos
aqui, ora lá. Dessa forma, ouvimos conversas interessantes. Tal
como a do Fábio, Luís Carlos, Rogério e Odilon se vangloriando de
darem um rolê pela pousada, com suas lanternas, para assustar as
pobres garotas sonolentas. "Ah, é assim?", pensei. "Deixe estar,
jacaré, que seu momento vai chegar".
Acabou a trilha,
banho, minutos de descanso e partimos para a cidade, abocanhar alguns
pedaços de pizza, aos quais fazíamos jus, pelo cansaço de tantas
horas de subidas e descidas.
Na pizzaria, contei
para Val, Vivi e Cherry a conversa dos quatro trintões querendo
fazer molecagens.
Não é preciso dizer
que, desmascarados, jogavam a culpa um no outro. Queriam até convencê-las
de que tudo não passou de sonho com um sedutor lobisomem. Mas não
convenceram, pois em seus olhares estava a verdade da história e
a alegria do que provocaram. Esperem
por nós, garotões, a revanche será breve.
Mas nosso feriado
não teve só lobisomens como personagens. Teve gente muito bacana,
como a Vilma, professora de ioga, ensinou-nos a respirar nas subidas.
Segui com rigor suas lições e expirava tão forte, a ponto de soltar
meleca do nariz. E lá vai Eva, que chegou firme nos picos mais altos,
enfrentando sua bronquite e mais um monte de ites, que mostram que
quem quer consegue.
Lá estava a Karen,
que conheci na Ilha do Cardoso, e rastejou comigo pela toca do tatu.
Sandra e Miriam,
médicas, que esquecem o que é um estetoscópio, enquanto andam sobre
as pedras, cercadas de árvores e cachoeiras.
Mariane, magrinha,
agitada, olhar de quem nada perde da natureza.
Cláudio, que conhece
o mundo inteiro, por isso era melhor perguntar-lhe qual lugar ele
ainda não pisara.
Cherry, com seu dom
de curar torcicolos, colunas tortas, pés torcidos.
Tereza e o marido,
atletas de corrida de aventuras.
Sobre os que não
escrevi peço desculpas, pois era muita gente e eu não consegui gravar
os nomes. Fica para a próxima.
Alécio, você ficou
para o fim. Achei você triste ou talvez preocupado. Mas tomou conta
da gente direitinho.
Aos amigos da Namaste,
até breve.
Ema
de Moraes
setembro/2006
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