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Cristina,
Cris, Batchan - minha Batchan - psiquiatra, doutora. Estava se especializando
no tratamento de neuronha, mas o tempo foi curto para um estudo
mais aprofundado. Hoje você vê golfinhos apenas do barco, mas quem
sabe um dia não estarão nadando ao seu lado e sendo objetos de estudo?
Vocês sabiam que Cris também é Bióloga?. Com sua risada ímpar, conquistou
o coração do guia Eliú que a levou para um "mergulhinho", descartando
qualquer companhia. Traumatizada, ela tentou ser atropelada por
um buggy, na sua segunda tentativa de suicídio. Porém sua maior
realização foi ter a oportunidade de se apresentar e trocar algumas
palavras com o ídolo famoso, o mergulhador Lawrence Wabba
Regina
foi chefe da missão desde o aeroporto, muito elegante. Caiu na aventura
de pára-quedas e foi tão longe que parou no fundo do mar, com um
batismo muito tranqüilo. Durnate a viagem teve apenas uma preocupação:
a bolinha que ganhou no cotovelo, ainda em Natal, de causa desconhecida,
que serviu de almofada e passatempo.
Rosa
me surpreendeu. Para aqueles que só conhecem sua irmã, Nina, quietinha...esqueçam!
Até teve a brilhante idéia de enganar o pobre do Alécio dizendo-lhe
que não parávamos de brigar, principalmente eu e o Renato. Com agilidade
mental incrível, Alécio já providenciava a separação do grupo. Porém,
era tudo mentira e a grande incidência de neuronha entre nós ocorria
todos os dias momentos antes do jantar. Apesar de pertencer ao grupo
de mergulhadores credenciados, Rosa decidiu que o instrutor seria
exclusivo para ela, deixanso 5 outros mergulhadores sob a responsabilidade
de apenas 1 instrutor. Monopolizou, gostou e repassou-o para Regina.
Não agüentou tanta emoção e passou mal, voltando à sua cor original
antes de conhecer o sol. Só nos certificamos de sua recuperação
quando, mais tarde, ouvimos as frases: "ESTOU COM FOME...", "VAMOS
COMER...", "CLARO QUE EU VOU COMER!"
Antes
de falar sobre eu e Renato, devo registrar o crime ambiental cometido
pelas 3 (Rosa, Regina e Cristina). Decidiram fazer uma trilha que
nós não fomos com o guia. Entraram em lugar proibido e, sem ver
a placa, andaram horas sobre os corais, destruindo a vida por onde
pisavam. Sem perceberem o que faziam, adoraram ouvir o CROC CROC
de seus passos. No entanto, se conformaram em salvar uma sardinha
que ficara presa quase sem água, atirando-a no mar.
Renato
chamou para si algumas responsabilidades - passagens, papéis, despetador,
horários. Foi o único que realmente usou o relógio. O meu só serviu
para saber a que horas o sol se punha, não perder a hora das refeições
e fazer a contagem regressiva para a segunda despedida da Ilha...em
vão!! Ele conseguiu ver de pertinho suas tão adoradas e adoráveis
tartarugas. Ficou tão emocionado que adotou, registrou e batizou
uma que ainda vai nascer. Quem quiser saber mais detalhes, como
preço, nome, fale diretamente com ele.
No
meio de tanta confusão de vôos e traslados, ele ficou trancado para
fora do quarto apenas de calção expressando sintomas de neuronha.
Enquanto isso, eu e Cris fazíamos a contagem regressiva para o falso
embarque das 18 horas. Quase no final do tempo descobrimos a segunda
melhor notícia do dia que coincidentemente foi a mesma da primeira:
o vôo seria realizado com certeza no dia seguinte! A partir desse
instante nossas preocupações eram: estaria o Renato preocupado conosco
e com sua chave de U$100? Tomaríamos água de coco ou cerveja no
bar de cima ou no de baixo? Haveria nuvens na linha do horizonte
atrapalhando o pôr-do-sol?
Renato
também foi batizado nas profundezas. Tudo estava perfeito até o
retorno ao barco, que balançava prum lado e pro outro constantemente.
Riu ao ver Rosa passar mal, e sentiu todas as suas últimas refeições
balançarem. Resolveu então dividi-las com os peixes oferecendo-lhes
um excelente banquete. Ele trabalhou tanto que ficou estafado, sonhando
com um atestado assinado pela Cris informando: DOENÇA DE MERGULHO.
Por
fim, eu, Renata. Caçula que conheceu muitas pessoas na Ilha. Até
nativo com camiseta NAMASTE eu encontrei. Conheci também 2 velejadores
da regata e tive mais uma vez a certeza de que o mundo é pequeno,
redondo e gira. Este lugar é propício às coincidências. Quantos
vizinhos, ídolos e fãs não se conheceram aqui?
Roubaram
as minhas compras e as distribuíram entre os amigos; mandaram-me
tomar banho e quiseram até impor horários. Mas no fim, todos aprenderam
a ser um pouco mais maloqueiros e caloteiros. Também tive o privilégio
de um instrutor particular de mergulho, depois de fazer o barco
voltar para me buscar. Instrutor que a Cris já conhecia de outros
mares. Passeei de ônibus com ar condicionado, caminhonete táxi,
buggy táxi, caminhonete carona, buggy carona, moto carona, cavalo
e a pé. Até os velejadores foram muito gentis em me oferecer carona,
apesar de estarem a pé. Como forma de agradecimento, guiei-os pelo
centro histórico e por algumas praias da Ilha. Senti saudades das
pessoas, da minha família e dos meus amigos. Dos meus pais que tanto
lutaram para que eu estivesse aqui. Porém, minha mãe não acreditou
em mim quando disse que ficaria mais 1 dia na Ilha.
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