Serra do Cipó- 21 a 25/06/2000

 

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Namaste partiu mais uma vez sem mim. Foi lá pra Serra do Cipó, em Minas Gerais, levando consigo um gravador, que registraria todos os grandes momentos ali vividos durante quatro dias. Desta vez reuniram-se aos mais experientes 14 febenianos, sob o comando de sua Titã, a inusitada Luiza.

Estação Ana Rosa do metrô lotada. Turistas alegres, gritando, todos correndo, lado a lado, à procura dos ônibus que os levariam aos mais diversos locais, onde os esperava o descanso, as trilhas, cachoeiras, enfim, toda a nossa tranqüila natureza.

Meus espiões, mesmo antes da partida, registraram um fato terrível! Cris Batchan surge com sua bagagem a tiracolo, mas não embarcava na Namaste. Com grandes mordomias, subiu no ônibus que levava seu nome: Cristur. Cris, como um verdadeiro Judas, embarcou para Caraça, sem encarar os companheiros traídos.

Outra confusão na partida. Lucília chegou atrasada e viu Tam, o chinês (ou tailandês?), já dentro do ônibus. Entrou correndo de mala e cuia para pegar um lugar ao lado do amigo. E mostrando todos os seus dentes no mais sincero sorriso, sofreu um golpe duro e cruel: Tam não ia para o Cipó. Estava viajando com a Terra Azul. Lucília, decepcionada, abandonou imediatamente o território inimigo. Já fora do ônibus outra surpresa: Seu Zé, o novo guia da temida agência, de colete e uniforme, clamava por silêncio enquanto juntava seu desvairado rebanho.

Finalmente ouviu-se o apito de partida. E lá se foi a Namaste para suas aventuras.

Alécio tomou a liderança. Tentando encontrar sua esquerda, deu as primeiras instruções, as quais, como sempre, ninguém prestou atenção.

Márcia e seus pais, Seu Giro e D. Lurdes, tranqüilos, viajavam como caronistas, pois ficariam no meio do caminho, de onde seguiriam para compromissos sociais. Mesmo assim, Márcia não deixou por menos e mostrou sua indignação e braveza ao sentir o "pum" do Fabrício, empestando o ônibus. De nariz coberto, Márcia ameaçou explodir o garoto com uma caixa de fósforos.

Na chegada à pousada, Seu Eustáquio recebeu a Namaste de braços abertos. E prometeu que a cada retorno de trilha todos seriam recebidos com café bem quente, queijo, rosquinhas e a famosa cachacinha das Minas Gerais. E como todo mineiro batuta, cumpriu a promessa.

Na primeira noite, logo após a chegada, Fabrício, o do famoso "pum", jogou futebol no quarto e espatifou a janela. Em seguida liderou seus amigos numa fuga para a mata. E foi resgatado pelo Alécio, aclamado "Príncipe das Arábias".

Este fato mostrou que os adolescentes do Pavilhão 9 da Febem, gostavam de aprontar. E não foi só isso, não. Aliados ao Roney, deixaram o Alécio perder mais alguns fios de cabelo. Imaginem que até os motoristas estavam de olho nos safados e ficaram surpresos ao saberem que Roney era guia e não um membro febeniano. Ele esqueceu todo mundo e só se preocupou com a trinca Diana, Carol e Débora. Claro que elas estavam felizes! Pois tinham um guia só para elas. Mas como o Roney tem a cabeça aérea, deixou as coitadas estressadas.

Karen e Andréia, sempre juntas, deram o que falar. Andréia é modelo e não podia se ferir. Por isso encarnou no guia local, o Lilo. E como tinha o dom de mandar, fazia com que Karen agisse como um "mata-moscas", espantando qualquer um que pudesse atrapalhar seu idílio. Karen foi fiel até torcer o tornozelo. Arrastou-se pelas pedras e chorou por ter sido abandonada pela amiga.

Enquanto isso, o Luiz Felipe babava atrás da Andréia. Mas desprezado por causa do Lilo, foi curtir as outras pessoas. Mas Andréia se decepcionou com seu guia. Sentada nas pedras da cachoeira, num verdadeiro cenário de romance, quase entra em delírio quando Lilo a tomou pelos braços, levantando-a com todo o cuidado. Já agarrada ao pescoço do bonitão, não escondeu a raiva ao perceber que toda aquela gentileza era apenas para salvá-la de uma cobra coral que quase a abocanhou.

Ainda no grupo fugitivo do Pavilhão 9, tinha o Nicolas, um apaixonado pela Astronomia. Sem qualquer receio ou motivo para culpa, convidou o Bruno para ver estrelas. E, abraçadinhos por causa do frio, ficaram até as 3 horas da madrugada curtindo o céu ao redor da piscina.

Já o Danilo não queria muita conversa. Transformou-se na sombra da Luisa. Mas não hesitou e correu à sua frente para se acomodar na rede antes dela.

E as Danielas? Eram três! A Conrado, com seu poder de decisão, mostrou força e personalidade. Curtiu todos os segundos na Serra do Cipó. A Melo, foi das poucas que não teve problema na cavalgada. Nenhuma dorzinha com seu "traseiro generoso". E a terceira Daniela, toda certinha, resolveu soltar a franga e tentar um contrabando de carrapatos. Mas Alécio, muito esperto, conseguiu impedi-la. No entanto, ao trocarem de meias, todos puderam perceber o desleixo do nosso "Príncipe das Arábias" com seus trajes. A meia estava até dura de tanta sujeira.

A Fernanda, muito supersticiosa, fez simpatias para arrumar um namorado. Uma delas foi pisar na bosta das vacas, mas parece que não causou efeito.

E o Rafael DDD que quase perdeu os órgãos genitais? Tropeçou no cordão desamarrado do tênis ao descer do cavalo e foi parar embaixo de suas quatro patas. Saiu de lá até gaguejando de susto. A sorte dele foi que o pangaré Navio era tão lerdo, que nem se mexeu.

A Renata se botou a jogar "porradinha" com a Tihare, filha da Carla, e saiu com os olhos grudados no nariz. Para quem não sabe "porradinha" é um brinquedo (uma corda presa a um mastro - fixo no chão - com uma bola pendurada na ponta) de dois jogadores que têm o objetivo de enrolar a corda no mastro a partir de um soco na bola. Mas a Renata não calculou que a Tihare, com seus deliciosos 11 anos, era esperta demais e sempre acertava a bola em seu rosto.

E por falar na Carla, soube que ela não agüentou o cavalo e pegou carona com o jipe do Ibama, esquecendo até a sua Tihare em lágrimas para trás. Que mãe desnaturada!

Outros flagras foram realizados por meus espiões. Um deles foi a Graciela fazendo trilha de bengala e não cajado. Ganhou o prêmio como a primeira cliente da Namaste a usar a terceira perna.

Quantas histórias mais! Vejam a da Scheila, agora chamada de Cérebro. Por seus excelentes comentários e idéias, resolveu transmitir sua cultura para Alécio. Assim ele não troca mais suas frases e não passa mais o vexame ao declarar, a todo pulmão, que "arnicra serve para fazer sabão cra-cra". E não troca mais os títulos dos filmes: de Sexto Homem para Sexto Sentido e de Negociação para Recomeço.

Nosso Príncipe, esbanjando um porte nobre em cima do seu cavalo branco, perdeu a paciência ao tentar resgatar, de dentro da mata, o belo e arisco cavalo Hebreu, que o Roney deixou escapar. Parece que o pobre Hebreu se encheu de ouvir Roney perguntar-lhe, a cada minuto, se estava tudo bem.

Ao voltar para a trilha, Alécio deu de cara com Lucília, seu cão de guarda, apavorada porque não conseguiu segui-lo. Ele lhe deu uma nova chance e ela permaneceu no cargo. Só até a noite, porque quando o Cipó escurecia, Lucília dormia e abandonava seu amo. Mas Débora e Scheila deram cobertura formando a valente guarda real, enquanto o seu fiel escudeiro PS, que cavalgava ao seu lado como se fosse o lendário Sancho Pança. E como o famoso personagem, PS perdeu a vergonha ao redor da fogueira, pedindo ao Seu Eustáquio que lhe arranjasse um pouco de queijo, carne no espeto, café e conhaque, pois a noite estava muito fria.

E o Roney que aprontou a viagem toda? Imaginem, além de ser fiel à sua trinca feminina, estressou Renato gritando o tempo todo em seu ouvido. Até parecia um moleque. Espantava os outros cavalos, passava raspando ao lado do Renato, que não agüentava mais e teve um chilique. Irado, Renato queria galopar sobre a Alba.

Em seu cavalo Tempestade, que dava coice e mordia a perna dos outros cavaleiros, ela queria ultrapassar todo mundo e ser a primeira da fila. Pois é Alba, lembra que você foi a rainha da Canastra em cima do seu Castelo?

E enquanto tudo isso acontecia, Luiza não controlava seus impulsos impacientes. Ela já tinha trocado de cavalo três vezes, espantado o cavalo do Roney que ficava cheirando a bunda do seu, Alécio a puxou pela mão e a largou no meio das vacas para que ela perdesse o medo das ruminantes. Resistindo o máximo, Luiza só ouvia os mugidos das malhadas. Com pavor de ser pisoteada, descobriu que aqueles sons saíam da boca do Buiu, outro guia local cheio de gracinhas.

Escondida de todos e de tudo, lá vinha a Adriana Duracel. Procurou ficar no anonimato, com medo de que meus espiões registrassem seus atos. Só que ela não sabia que a "anta" da Luiza perdera o gravador do PS, com todos os momentos ali registrados sobre nossos amigos aventureiros.

Até a próxima, Namaste!

Ema
Junho / 2000

     

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