Bananal - festa junina - 9 a 11/06/2000

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Por problemas pessoais, estou ausente das últimas aventuras da Namaste. Mas tenho vários espiões infiltrados nos ônibus, trilhas, pousadas e cachoeiras, que me trazem extensos relatórios sobre as expedições.

Competentes, cumprem à risca sua missão e nada deixam escapar. Vejam só o que me contaram. O Alécio, em Parati, vestiu uma roupa de neoprene pelo avesso e ao mergulhar foi fazer cócegas nos pés de um mero turista desconhecido, certo de que era o nosso amigo Vieira. Pois é, nem debaixo d’água o Alécio deixa de fazer trapalhadas.

Nesta última aventura em Bananal, onde se realizou nossa tradicional festa junina, muita coisa aconteceu. Cada um dos viajantes teve uma parcela importante no sucesso da festa.

As irmãs Carla e Adriana novamente juntas, fantasiaram-se de gêmeas. Embora uma seja loira e a outra morena, tinham como objetivo confundir a turma. Infelizmente, não pude ver a cara da Carla, no dia seguinte da quadrilha, perdendo o maiô no meio da pousada.

Eloína e Natasha também formaram dupla. Relembrando os cowboys do Velho Oeste, usaram coletes de vaquinha. Até o dono da pousada foi vistoriar seu gado para ter a certeza de que nenhuma rés fora esfolada.

Luiz e Marina, os mexicanos, surgiram na quadra vestindo roupas típicas de seu país. Mas esqueceram suas origens e dançaram, alegremente, as tradicionais músicas caipiras do nosso belo Brasil.

Depois de muito tempo afastada da Namaste, Thelma a cachinhos ruivos, conseguiu autorização de seus ursinhos para matar a saudade da natureza.

Lá estava também a Patrícia, que só reclamava de sua mala pesada. E meus espiões me contaram o porquê de tanto peso: os inúmeros pares de sapatos que ela levou. Só não fiquei sabendo se ela enterrou os saltos na terra.

Quem também abafou no Bananal foi a nova dupla Luísa e Anselmo. Ela, de caipira andina, carregou seu par nas costas com receio de que ele pudesse fugir. Mas seu Chaveirinho Perfumado mostrou fidelidade e passou a noite toda rodopiando ao som da voz da Vera, a puxadora oficial de quadrilha. A Vera foi mesmo notada por todos no banho de cachoeira. Não quis pôr maiô e caiu na água com roupa e tudo.

Mais acomodado, Cardoso marcou presença. Fonte inesgotável de vinho, desta vez levou poucas garrafas. E como o delicioso líquido não era suficiente para todos, abria às escondidas cada garrafa.

Rosângela, presente nas últimas atividades da Namaste, pifou na trilha e voltou para a pousada. O que faltou para lhe dar forças foi a camiseta da ATPê (Associação dos Turistas Pentelhos) com o slogan “Se num guenta, por que veio?”

Renata se transformou na mascote da Namaste. Topa qualquer parada. Fez das pedras tobogã, cavou carona num cavalo e foi privilegiada em tomar o vinho do Cardoso.

E o João, Johnny ou Jabá? Desta vez lembrou de levar a comida para a trilha. E tentou roubar o lanche do filósofo Anselmo...parecia um morto de fome.

Chegou a hora dos pombinhos Edna x Edson. Um casal apaixonado, que quase nunca aparece. Edna é quietinha, paciente, mas quando fica brava seus olhos até mudam de cor. Edson é tranqüilo e manteve o bom humor, mesmo quando o Alécio, para variar, errou a direita da trilha e se perdeu. Para distrair os companheiros Edson encarnou o famoso Chatotorix, o cantor das graciosas histórias do Asterix. O duro é que ninguém conseguiu amordaça-lo e sua voz se espalhou por toda mata.

Responsável pela página da Namaste na Internet, Guaracy causou rebuliço por causa do seu nome, que ninguém conseguia pronunciar. De repente, Luísa teve um estalo e passou a chamá-lo de Lobo Guará, ou Lobinho. Ele não se importou, claro, porque todo homem adora ser um lobo.

Batendo o ponto na tranqüila Bananal, os pais da mamãe Márcia. Seu Giro, louco por esportes, queria a todo custo uma TV na trilha, para acompanhar um jogo de futebol, não importando qual. E Dona Lurdes, que a todo canto ia, deixava transparecer seu embevecimento, quando cia o quanto todos amam sua filhota.

Muito importante é falar sobre os passageiros novos. Cleonice, a Cleo, sempre muito animada, competiu com a Luísa na categoria dos airbags dianteiros. Cleo agradou tanto, que agora é até chamada de “Deusa”.

Outra novata é a Ione. Linda em seu vestido azul-bebê, foi o pé de valsa da festa junina. Dançou com todo mundo e mostrou que, para ela, a noite não teria fim.

Dafner e Henrique eu não conheço. Meus espiões disseram ser eles outro casal apaixonado, no meio dos fugitivos da Francorrochense. Ele topou escorregar pela cachoeira. Porém, assustou seus companheiros. Seu corpo tremelicava tanto que quase virou do avesso. E a Dafner, muito quieta, não parava de bater fotos de seu amado, focalizando principalmente seus olhos azuis.

Escondidas em todos os cantos, as duas irmãs Emma e Eunice. Silenciosas, seus olhos viravam para tudo o que viam. Enquanto seus ouvidos ouviam tudo o que precisavam.

O ponto alto da festa foi o casamento caipira da Márcia e Alécio. Ela, em seu vestido rosinha, parecia uma menininha. Ele, de bigodinho estava muito atrevido. A cerimônia foi realizada pelo OS e pela Scheila, travestidos de padre e freira. A performance dos dois foi tão perfeita, que todos achavam que eles deixaram o convento para participar desta noite especial.

PS parecia um padre de verdade de tanto que comia. Mais um pouco de comida e a batina estourava. Mesmo tímido agarrou o microfone e não o largou mais até sentir que sua missão de abençoar os noivos terminara.

Por sua vez, Scheila esmirilhou. Primeiro trocou seu hábito de religiosa por um biquíni e caiu nas águas geladas das cachoeiras. À noite, voltou a ser freira, mas, às escondidas, não conseguiu afastar a tentação de fumar e beber, avançando no vinho do Cardoso. Arrependida de seus pecados, foi para o quarto bem cedo para se flagelar.

A festa acabou, a viagem acabou. A preocupação namasteniana, agora, é Matchu Pitchu. Márcia, que não confia nos horários do Alécio, nem nas suas duas direitas, resolveu ir ao aeroporto no dia 15 de julho para ter a certeza de que não corremos o risco de embarcar para o Japão.


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